Com a proximidade do Ano Novo, milhões de brasileiros preparam os fogos de artifício para celebrar a virada. No entanto, para quem tem animais domésticos, a data exige planejamento extra. O barulho intenso dos rojões e morteiros provoca reações de pânico em cães, gatos e até em animais silvestres domesticados. Quedas, fugas, atropelamentos e infartos são ocorrências comuns nesta época. Pensando nisso, preparamos um guia completo para ajudar você a proteger seu pet e garantir uma passagem de ano mais tranquila para toda a família.
Continue lendo e descubra medidas simples que fazem toda a diferença. Se precisar de mais orientações, visite nossa Categoria Causa Animal.
Por que fogos de artifício assustam tanto os animais?
Os cães, por exemplo, possuem uma audição que alcança frequências de até 60 kHz, enquanto a dos humanos não ultrapassa 20 kHz. Os estampidos dos fogos, que podem chegar a 190 decibéis, causam dor e desorientação. Além do barulho, as luzes intensas e a sensação de vibração no ar contribuem para um quadro de estresse agudo. É comum observar o animal tentando se esconder, arranhando portas, babando ou até se ferindo ao tentar fugir.
Em gatos, o medo se manifesta de forma mais sutil: eles se encolhem, ficam imóveis ou se escondem em locais altos. Em ambos os casos, a frequência cardíaca dispara e a liberação de cortisol (hormônio do estresse) pode comprometer o sistema imunológico. Por isso, reduzir a exposição ao estímulo é a principal estratégia de proteção.
Preparando a casa para a noite da virada
Escolha um cômodo que possa ser isolado da rua, preferencialmente sem janelas ou com vidros lacrados e cortinas grossas. Monte um espaço aconchegante com a cama, cobertores, brinquedos e água. Se o animal estiver acostumado com caixas de transporte, deixe a porta aberta para que ele possa se refugiar.
- Feche bem portas e janelas, vedando frestas.
- Coloque uma placa ou aviso na porta informando que há animais no local, caso haja visita.
- Retire objetos que possam cair ou quebrar durante a correria.
- Disponibilize petiscos e brinquedos interativos para manter o foco.
Estratégias sonoras e distrações
Criar uma barreira sonora é uma das formas mais eficientes de abafar os estampidos. Coloque uma playlist de músicas calmas, sons de chuva ou um programa de televisão em volume confortável (mas não ensurdecedor para você). Existem aplicativos de ruído branco que podem ser testados alguns dias antes.
Brinquedos recheados com petiscos, como os clássicos Kong, são aliados poderosos. Encha o brinquedo com pasta de amendoim (sem açúcar e sem xilitol), banana amassada ou ração úmida, e congele na noite anterior. Na hora dos fogos, entregue ao animal, que ficará ocupado tentando retirar o alimento, associando o barulho a algo positivo.
Identificação e segurança
Por mais que nos preparemos, imprevistos podem acontecer. Uma coleira com plaqueta de identificação, contendo o nome do animal e um telefone de contato, é essencial. O microchip é uma camada extra de segurança, já que não pode ser removido. Tenha sempre uma foto recente do pet salva no celular para divulgar em caso de desaparecimento.
Além disso, mantenha o animal dentro de casa durante a virada. Não o deixe solto no quintal. Se você viajar e deixar o animal sob cuidados de terceiros, repasse todas as orientações com antecedência.
O que fazer durante a queima de fogos
Mantenha a calma. Os animais são sensíveis ao nosso estado emocional. Respire fundo, fale em tom suave e evite repreendê-lo. Se o animal quiser se esconder, deixe-o. Não o force a sair do esconderijo. Coloque a música em volume moderado e feche as cortinas. Se possível, fique no mesmo ambiente, oferecendo carinho e segurança.
Para cães, distrair com comandos de obediência (como "fique") e petiscos pode redirecionar a atenção. Para gatos, evite pegá-los no colo se estiverem nervosos; prefira deixá-los em suas tocas. Lembre-se de manter as portas internas fechadas para evitar que o animal se prenda em algum lugar perigoso.
Após os fogos: observação e rotina
Assim que os ruídos cessarem, verifique se o animal está bem. Ofereça água e um lanche leve. Observe sinais de estresse prolongado, como ofegância excessiva, salivação, diarreia ou apatia. Mantenha a rotina de alimentação e passeios (no dia seguinte) para restabelecer a normalidade. Caso os sintomas persistam por mais de 24 horas, consulte um veterinário.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Qual o melhor calmante para cães e gatos?
Não existe uma solução única. Florais de Bach, feromônios sintéticos (Adaptil para cães, Feliway para gatos) e suplementos à base de triptofano e melatonina podem ajudar, mas devem ser indicados por um médico-veterinário, que avaliará as condições de saúde do animal. Evite medicamentos caseiros sem orientação.
Meu animal fugiu na virada, o que fazer?
Inicie as buscas na vizinhança imediatamente. Divulgue fotos em grupos de WhatsApp, redes sociais de bairro e sites especializados em animais perdidos. Acione a zoonoses municipal e os abrigos da região. Quanto mais rápida a ação, maiores as chances de reencontrá-lo.
Fogos silenciosos são realmente seguros?
Embora mais discretos, os fogos silenciosos ainda emitem estampidos de baixa intensidade e clarões que podem perturbar animais sensíveis. O ideal é optar por alternativas sem estampidos, como shows de luzes com drones, ou evitar o uso de fogos perto de residências.
Gatos também precisam de cuidados especiais?
Sim, gatos são extremamente sensíveis a mudanças no ambiente. Eles tendem a se esconder em locais altos e apertados. Garanta que tenham acesso a caixas, prateleiras e tocas. Não force a saída do esconderijo; respeite o tempo deles.
É possível dessensibilizar o animal ao barulho de fogos?
Com paciência e reforço positivo, sim. Existem gravações de sons de fogos em volume muito baixo, que são associados a petiscos e brincadeiras. O volume é aumentado lentamente ao longo de semanas ou meses. Recomenda-se o acompanhamento de um profissional de comportamento animal.
Conclusão
O Réveillon pode ser um momento de alegria sem sustos para os animais. Com medidas simples – ambiente protegido, som calmante, identificação adequada e a presença tranquila do tutor – é possível reduzir drasticamente o estresse e os riscos. Lembre-se: o bem-estar dos nossos companheiros depende do nosso cuidado e empatia. Que 2023 seja um ano de mais respeito por todos os seres vivos.
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