Em 27 de novembro de 2022, um episódio de intolerância política marcou a cena pública brasileira. O cantor, compositor e ex-ministro da Cultura Gilberto Gil foi alvo de insultos por parte de um grupo de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em um shopping center na cidade de São Paulo. O momento foi registrado em vídeo e rapidamente se espalhou pelas redes sociais, gerando uma onda de repercussões.
Nas imagens, é possível ver Gilberto Gil circulando pelo local quando é surpreendido por um grupo que grita palavras de ordem como "mito", em referência a Bolsonaro, e outros insultos direcionados ao artista. Conhecido por sua trajetória de luta pela democracia e pela cultura brasileira, Gil manteve uma postura serena e não respondeu às provocações, seguindo seu caminho sob os olhares de alguns presentes. O contraste entre a agressividade dos manifestantes e a dignidade do artista foi amplamente destacado por diversas análises nas redes sociais.
O ocorrido se deu em um contexto de forte polarização, apenas algumas semanas após as eleições presidenciais de 2022, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva. Apoiadores de Bolsonaro realizavam manifestações em diversas partes do país, contestando o resultado das urnas. Gilberto Gil, que ocupou o Ministério da Cultura no primeiro governo Lula e é um dos mais respeitados artistas do país, tornou-se um símbolo das hostilidades direcionadas a figuras públicas ligadas ao novo governo.
A atitude dos agressores, que o título classifica como "bolsonarentos que não serão perdoados pela história", gerou imediata e maciça solidariedade a Gilberto Gil. Artistas, políticos, jornalistas e cidadãos comuns manifestaram repúdio ao ato de covardia e desrespeito contra um dos maiores ícones da música e da cultura nacional. A frase "não serão perdoados pela história" tornou-se um bordão entre os que condenaram moralmente o episódio.
O vídeo de Gilberto Gil sendo insultado permanece como um documento histórico daquele período conturbado da vida brasileira. Mais do que um simples desentendimento, o episódio simboliza os limites perigosos da intolerância política e do ódio partidário que tomaram conta do país. A história, como sugere a manchete, certamente registrará o ocorrido, e o legado dos agressores será marcado para sempre por este ato de desrespeito a um patrimônio cultural do Brasil.